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Apenas outro lamento solitário Minha essência hoje descansa, espatifada em cacos de sombra arranhada pelos cantos de um deserto em mais uma noite embriagada perdida pelos cantos imaginários de lamentos inalcançados por memórias divagadas em oceanos de marfim. Mais uma madrugada insone me obriga a encarar minhas angústias, incertezas e fraquezas, forçando a mesma caminhada pela planície de gelo fino que apesar de conhecida, sempre surpreende, como a moça sentada no banco da praça que resolve lançar um sorriso convidativo: o trapézio do desejo, sem redes de segurança.O estranho é se acostumar com a queda e estranhar o sucesso.É então que ganhamos uma nova perspectiva e passamos a perceber a bolha onde nos enterramos, criada com cada suspiro de amor não correspondido.Pior do que gerar o claustro é acostumar-se a ele, porque este condiciona um estranhamento em relação a todo o resto. Adquire-se um novo ponto de vista, é verdade, mas ele é tão distante e seguro que o eu-sozinho transforma-se em lugar comum. Por outro lado como arriscar-se depois de tantos tombos num coração tão remendado. Onde encontrar a coragem? Ah, ela desabrochará com um olhar feminino e um repentino perfume floral que invadirá sua vida de solavanco deixando como lembrança um sorriso e a confirmação de uma nova batalha interior a ser travada no dia seguinte.
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