poesia

Pensando alto...

Quisera eu guardar tua luz em candelabros de estrelas matutinas mergulhadas em perfumes oceânicos de hortênsias colhidas no cume das montanhas sonhadas onde o tempo parou e teimou em se perder de mim. As pétalas de névoa que soprassem dúvidas vazias seriam guardadas em potes de licor e atiradas na esquina de uma alvorada distante.Ah! como o infinito estaria latejante quando nossos olhares se perdessem outra vez na escuridão surda onde as vontades se desculparam e criaram novas verdades. Somente a lembrança da tua essência faria um coração sofrido bater tão forte em meio à dor incerta e latente de algo que se pretendia afirmar, mas acabou boiando no fundo de uma incomunicabilidade profunda e triste, que hoje não sabe mais se é ou se deveria o que nunca foi. Vozes que se partiram em corredores labirínticos procurando portas que não levam a lugar algum porque faz parte do dever delas confundir e nos forçar a escolher, mesmo sabendo que podemos acabar nos arrependendo depois. A espera solitária de uma resposta de uma pergunta que foi imaginada, mas nunca foi feita é um cálice do qual poucos ousam tragar porque, mesmo que ele não traga a verdade numa bandeja de prata, pode acabar levando a indagações ainda mais pulsantes.Que a embriaguez possa louvar a lucidez enterrada pela normalidade emburrecida!

Gilson Salomão Pessôa